A modernidade, encore!

https://cdn.pariscityvision.com/media/wysiwyg/5-joconde-mona-lisa.jpgMuitos de meus alunos tem solicitado o PowerPoint das aulas que ministrei sobre Modernidade. Como este foi um conteúdo que abordei em todas as salas durante as minhas primeiras duas aulas depois que retornei de licença do doutorado, achei conveniente compartilha-lo aqui neste blog.

A definição de modernidade já foi abordada em vários posts no Sociolizando. Isso ocorre, pois modernidade não é apenas um conceito-chave das ciências sociais, mas sobretudo um conceito difícil de ser definido devido as diferentes interpretações e abordagens dadas por uma quantidade enorme de autores.

A proposta de aula que apresento abaixo busca criar uma reflexão sobre as questões básicas que definem a modernidade com a utilização de algumas imagens e pinturas clássicas.

A primeira pintura, e a mais importante nesta abordagem, é a Monalisa (ou A Gioconda), de Leonardo Da Vinci. Quadro conhecido por todo cidadão do mundo ocidental, ela é muito mais importante do que se parece. Porém, a sua superexposição (em livros, propaganda, filmes, etc.) o colocou no terreno da banalidade do dia a dia, ofuscando os inúmeros e interessantes debates que esta obra nos proporciona.

Neste post, vamos ao que considero o mais importante: o tema central deste quadro. Para isso, tomarei emprestado a interpretação que encontrei no livro Histoire de peintures (História da Pintura) de Daniel Arasse (Folio essais, Gallimard, 2004).

Para compreender um pouco mais da Monalisa seria interessante, afirma Arasse, ler os textos de Leonardo e se lembrar que ele era um grande admirador de Ovídio e o seu poema Metamorfoses, e que tanto para Da Vinci quanto para Ovídio – este era um tema clássico e corrente – a beleza é efêmera.

“Há famosas frases de Helena em Ovídio a este respeito: ‘hoje eu sou bela, mas o que serei daqui algum tempo?’. Este é o tema que trata Leonardo, com uma densidade cosmológica extraordinária, porque Monalisa é a graça, a graça de um sorriso. Ou, o sorriso é efêmero, ele dura somente um instante. É este sorriso da graça que faz a união do caos da paisagem que está atrás dela, ou seja, do caos passamos à graça e da graça repassamos ao caos. Trata-se, portanto, de uma mediação sobre uma dupla temporalidade, e nós estamos aqui no coração do problema da tela, porque a tela é inevitavelmente uma mediação sobre o tempo que passa (…) Passamos, portanto, do tempo imemorial do caos ao tempo fugitivo e presente da graça, mas retornaremos a este tempo sem fim do caos e de abstenção de forma” (Arasse, 2004, pp. 38-39, tradução nossa).

Portanto, o tema central do quadro de Leonardo Da Vinci pode ser interpretado como o tempo, o tempo que passa.

Este quadro foi apresentado nas aulas como uma representação do início da era moderna.

As aulas seguiram problematizando outras questões, sempre em dialogo com a contemporaneidade. No fim, passamos novamente pelo século XIX e pelas reflexões de Charles Baudelaire em seu ensaio “O pintor da vida moderna” (Veja o post Definindo a Modernidade).

Arquivo do PowerPoint da aula: Aulas1_segundos

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