Trabalhadores da Universidade Estadual de Campinas entram no calendário de greves do Brasil

Por Will Santos
 

Funcionários, professores e estudantes da Universidade Estadual de Campinas decidiram em diversas assembleias realizadas quinta feira passada, dia 21, iniciar um calendário de greves e paralisações que visam a luta por salários e direitos.

Funcionários pararam já a partir do dia 23 de maio, sexta feira. E os professores decidiram por paralisação a partir desta semana dia 27, terça feira. Os alunos pretendem realizar assembleias também nesta semana para organizarem-se em apoio aos profissionais e apresentarem suas pautas

A Greve na Unicamp é conjunta a USP, a Unesp e o Centro aula Souza. Professores e funcionários das três Universidades pedem aumento de 10%.

Foto de Maria Dutra de Lima

Foto de Maria Dutra de Lima

Greve contra o Arrocho salarial e a Falta de Investimentos 

Os funcionários técnico-administrativos e professores da Unicamp tal como seus colegas das outras Universidades se posicionaram contra o não reajuste anual do salário em relação ao dissídio e a inflação.

Denunciam um cálculo do Estado que resultou em desfalque de R$540 milhões só em 2013, trata-se de prática que têm anuência dos Reitores das três Universidades

A exigência de melhorias nos salários se baseia na ideia de que a reposição salarial de docentes e servidores técnico-administrativos tem como base o acordo do ICV (DIEESE), correspondendo a inflação do período de maio de 2013 a abril de 2014, com mais de 3% a título de recuperação de perdas históricas.

Reafirmam a necessidade de um repasse de um total de 33% dos impostos do Estado ara a educação básica em geral, como repasse de 11,6% da quota de todo produto do ICMS para as Universidades Estaduais e 2,1% ara Centro aula Souza.

O fórum das seis (órgão representativo de Docentes, Funcionários e Estudantes das Estaduais Paulistas) denuncia que as Universidades Estaduais (USP, UNESP e UNICAMP) expandiram-se nos últimos anos, mas não houve acompanhamento do investimento, ao contrário. As universidades têm sobrevivido com um ICMS 9,57% que não garante o bom funcionamento e a qualidade dos serviços muito menos a expansão que ocorreu.

“Existe uma questão forte que se refere ao repasse do ICMS dos últimos dois anos. O Governo do Estado deixou de repassar 2.0000 (dois milhões) nos últimos anos”, afetando o funcionamento da Instituição e prejudicando a comunidade acadêmica como um todo, afirmou um funcionário que preferiu não se identificar.

O repasse do ICMS tem sido feito segundo um cálculo, denuncia o fórum, onde deixam de considerar juros e correções monetárias deste imposto recolhido em atraso sendo que a maior parte do deficit se deve aos “programas de parcelamento de dívidas”, uma espécie de anistia empresarial que na prática serve a sonegação de impostos (devido a expectativa de perdão que gera), diminuindo a arrecadação e o repasse correspondente a inflação.

Além do mais esta verba significa não apenas salário, mas orçamento da Universidade pública, cuja quantia seria investida para garantir reformas de salas de aulas, compras de materiais, etc de direito de funcionários, estudantes e da sociedade como um todo que faz uso da Universidade.

Afirmam, porém, que a decisão pela greve não se deve apenas ao salário como podem afirmar alguns setores do Governo e da Imprensa, mas é uma forma de reivindicar o montante.

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Foto de Maria Dutra de Lima

Os trabalhadores pedem, também, autonomia didático-científica, administrativa e de gestão financeira e patrimonial das Universidades e do Centro Paula Souza, Democratização da Universidade (acesso, produção de conhecimento e estruturas de poder), fim da militarização das Universidades, são contrários a terceirização de pessoal das Universidades e do Centro Paula Souza, etc.

Clamam ainda revogação das punições, revogação dos cortes de pontos, retirada dos processos administrativos e judiciais contra estudantes, servidores técnico-administrativos e docentes e das entidades representativas do movimento sindical e estudantil que lutam ela defesa da universidade pública.

Em conexão com a luta dos estudantes que necessitam das políticas de permanência estudantil, majoritariamente pobres que furaram o vestibular, pedem permanência estudantil e gratuidade ativa como moradia estudantil, construção de restaurantes universitários com estrutura e funcionamento adequados ás demandas das unidades e que haja bolsas de estudos e que estas sejam de caráter acadêmico e não trabalhista, pois o segundo regimento contribui para a terceirização do trabalho dentro da universidade.

Por fim exigem contratação de técnico-administrativos e docentes, garantia de vagas em creches tanto para os filhos dos técnico-administrativos, quanto docentes e estudantes, reversão das privatizações dos Hospitais Universitários, financiamento pública adequado destes locais para melhor atendimento a população, contratação de pessoal condizente com as demandas exigentes nos HU e Centros de Saúde ara garantir qualidade nas condições de trabalho e bom atendimento, etc.

Estudantes em Greve na Luta com Funcionários e Professores por Direitos e Democracia.

Alguns Institutos da Universidade Estadual de Campinas também realizaram suas assembleias e reuniões em circunstância do que ocorria e da decisão dos funcionários e professores durante vários horários.

A graduação e a pós-graduação de alguns cursos como Estudos da Linguagem (IEL), Pós-Graduação em Sociologia, Antropologia, História e Política bem como os estudantes de graduação do IFCH (Instituto de Filosofia e Ciências Humanas) e o restante da Universidade, através da Assembleia geral, decidiram aproveitar o momento para organizar suas reivindicações, apoiando os  professores, através de paralisações e greves.

O apoio aos funcionários e professores é um fato mas os estudantes também questionam a condição dos setores terceirizados não terem o direito de greve contando ainda com o assédio das empresas para quem trabalham, caso decidam parar, sendo que fazem parte da comunidade acadêmica, e convivem com diversas precariedades em seus postos de trabalho que poderia ser resolvido caso fossem efetivados.

Por exemplo, funcionários e funcionárias do restaurante universitário e da limpeza da Unicamp não paralisaram, embora sejam um dos principais setores que contribuem ao funcionamento da universidade, servindo refeições, ou realizando a limpeza diária do todo Campus, ois trabalham para órgãos que restam serviço a Instituição.

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Foto de Maria Dutra de Lima

Funcionários\as do “Bandejão” convivem com alta temperatura das panelas e com falta de equipamento adequado para lhe dar com as altas temperaturas. Já as funcionárias da limpeza convivem com diversos acidentes devido aos materiais de trabalho. Semanas atras uma funcionaria que calçava uma bota de borracha caiu de uma escada porque escorregou no chão molhado também de borracha das escadarias do prédio de pós-graduação do Instituto de Filosofia e  Ciências Humanas, como é terceirizada a Unicamp não garante salubridade e lano de saúde.

Os alunos reivindicam aumento de vagas na Moradia Estudantil, vagas para as crianças filhas de estudantes na creche da Unicamp, aumento no valor e na quantidade das Bolsas de permanência estudantil que não atende a todos os alunos nem as suas reais necessidades e denunciam o assédio moral e as humilhações pelo que passam muitos estudantes pobres que se inscrevem no processo de concessão de auxílios seja durante a entrega de documentação exigida seja nas entrevistas com as assistentes sociais.

Os alunos também questionam a Democratização da Universidade e denunciam o projeto “Campus Tranquilo” que visa garantir a segurança da Universidade mas que na prática serve para controle e repressão, além de que está sendo construído sem a anuência da comunidade como um todo portanto não atende a realidade da mesma e é antidemocrático.

Por fim, questionam o Estatuto Universitário que, no caso da Unicamp, é regido por normas construídas no período da Ditadura e que a Comissão da Verdade da Unicamp denunciou este ano.

Nesta semana estão previstas diversos encontros, reuniões, atividades, etc dos três setores para apresentarem efetivamente as pautas de reivindicações e organizar a Greve que promete não ter arrego.


 

*Willians Santos – Mestrando em sociologia pela Universidade Estadual de Campinas.

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