As ditaduras de ontem e hoje

Por Ricardo Festi

Próximo ao aniversário do golpe de estado que subjugou o país a 21 anos de um regime ditatorial, um dos debates mais importantes sobre esse longo período de brutalidade é sobre os legados deixados para a posteridade. A ditadura civil-militar não foi apenas um impedimento da população de escolher seus representantes e uma recorrente violação dos direitos humanos. O nefasto regime implementado no Brasil moldou todas as facetas de uma república já habituada com a violência e a opressão as camadas mais vulneráveis da sociedade. A transição para o regime democrático, pactuada, lenta e cheias de concessões aos antigos criminosos do poder, não foi capaz de reformar até o fim todas as instituições, sobrevivendo da lógica da casa-grande. Junto a elas, um senso-comum conservador, pautado numa razão instrumental e violenta, que autoriza ações como as dos “justiceiros”, ainda predomina e legitima a continuidade de práticas advindas da ditadura.

O mais evidente disso está em fatos vinculados as instituições responsáveis pela repressão estatal. Exemplos não faltam das arbitrariedades cometidas por policiais, como estes três casos recentes: 1) a reação de uma parte da corporação ao vídeo “Dura” do grupo humorístico Porta dos Fundos e as ameaças ao ator Fábio Prochat; 2) a ação abusiva da polícia militar contra adolescentes em frente a uma escola em São Paulo; 3) e a forma que foi tratada a morte do cinegrafista Santiago Andrade e a inconsequente e maliciosa vinculação destas ações com organizações de esquerda, criminalizando-as.

Pelo jeito, o aniversário dos 50 anos do golpe não apenas reascenderá antigas chamas, mas poderá recolocar em questão a forma com que a transição para o regime democrático se processou. Para isso, um enorme e profundo debate deve ser feito em todos os rincões deste país, intensificando os gritos de “Não as ditaduras!”.

1) Dura, Porta dos Fundos – como nos tempos da ditadura, até o humor querem censurar.

2) Agressão policial na escola São Simão, em São Paulo – a violência policial na vida cotidiana

3) Narciso na Viatura – um bom artigo publicado no suplemento Aliás.

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