IPEA divulga queda na taxa de natalidade do Brasil

Segundo o IPEA, a taxa de natalidade brasileira encontra-se ao nível dos países europeus (vale lembrar que as taxas “oficiais” não se levam em consideração os imigrantes ilegais, setor com alta taxa de natalidade), fazendo com que haja uma estagnação demográfica ao longo do século XXI. (leia o artigo abaixo)

Mas será que um país continental, com uma população concentrada na faixa litorânea e vastas áreas despovoada, abundante fonte energética, solo fértil e muita água potável ficará isento das ondas migratórias? Não seríamos um destino perfeito para o excedente populacional asiático? Como serão resolvidos os problemas decorrentes desta nova realidade em que a população segue de forma acelerada o seu envelhecimento enquanto ao mesmo tempo aumenta a sua expectativa de vida? Essas são algumas questões para que possamos refletir…

Taxa de natalidade cai e população brasileira deve parar de crescer

Fonte: Folha

Diante de uma taxa de natalidade de apenas 1,7% (comparável a países como França e Reino Unido), o Brasil caminha rapidamente para uma estagnação de sua população. O Ipea projeta 200 milhões de pessoas em 2020. Vinte anos mais tarde, em 2040, esse número crescerá em apenas 4 milhões, prevê o instituto ligado à Presidência da República.

Segundo dados da última Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), viviam no país 195,2 milhões de pessoas em 2011. “O germe do declínio populacional já está instalado no país, que são as baixas taxas de fecundidade e o reduzido crescimento da população”, disse Ana Amélia Camarano, demógrafa do Ipea.

Para a pesquisadora, o aumento populacional atual de apenas 0,7% ao ano e a menor natalidade –que deve chegar a 1 filho por mulher em 2030– fazem o país migrar de uma “explosão de população” no passado para uma “implosão de população” no futuro próximo, acompanhada do envelhecimento da estrutura etária do país.

Um dos problemas da estrutura etária envelhecida é que a força de trabalho também recua, reduzindo a capacidade produtiva do país. “Há apenas 20 anos ainda falávamos em explosão populacional. O problema agora é outro. A questão é como prover saúde e condições de autonomia a uma população cada vez mais envelhecida”, afirmou a demógrafa.

De acordo com Camarano, as mulheres brasileiras tinham cerca de 6 filhos, em média, nos anos 50 e 60. Naquele período, a população crescia a um ritmo anual superior a 3%. “Foi o nosso período do ‘baby boom'”, afirma.

A taxa de fecundidade foi rapidamente declinando (com adventos como a pílula e outros métodos contraceptivos e o aumento do nível de educação) nos últimos anos. Atualmente, diz, ela está num nível “consideravelmente abaixo” da chamada taxa de reposição da população –de 2,14 filhos por mulher.
A lógica embutida nessa taxa é a seguinte: cada mulher tem de gerar duas crianças para “repor” o pai e ela própria; o 0,14 adicional é para compensar sobretudo aqueles que morrem antes de terem filhos.

Com tal dinâmica, prevê, só as faixas etárias acima de 45 anos vão crescer a partir de 2030. De 2040 em diante, a única parcela que crescerá em números absolutos será a de 60 anos ou mais.

O Brasil caminha rapidamente, afirma, para ter um perfil populacional “bastante envelhecido” e de fecundidade muito baixa (em torno ou pouco acima de 1 filho por mulher), comparável aos países do sul da Europa (Portugal, Espanha, Itália e Grécia, sobretudo) e do Japão.

França e Reino Unido, diz, ainda mantêm uma estrutura um mais jovem e taxa de fecundidade maior graças ao peso da imigração.

FECUNDIDADE POR RENDA

Para Ana Amélia Camarano, do Ipea, a desigualdade na taxa de fecundidade entre mulheres de faixas diferentes de renda abre caminho para uma a queda rápida até os níveis dos países europeus do mediterrâneo e do Japão. Isso num cenário que em o rendimento dos mais pobres no Brasil avança mais rápido do que dos mais ricos.

Enquanto entre as mulheres da faixa de renda com os 20% menores rendimentos familiares a taxa de natalidade era de 3,6 filhos, na faixa dos grupos familiares dos 20% mais ricos estava em 0,9 filho –abaixo da taxa japonesa.

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