NÃO AO PRECONCEITO DENTRO E FORA DA ESCOLA!

Algumas matérias para ajudar no debate contra todas as formas de preconceitos.

Entidade mapeia homofobia na escola

Creas alerta para repetição de casos de violência e preconceito na rede de ensino de Campinas

Fonte: RAC

Salto alto, unhas pintadas, sobrancelhas delineadas e saias acima do joelho. É assim que o adolescente E.F.R, de 14 anos, gosta de se apresentar desde os 6 anos. “Não sou de me esconder. Eu me visto como quero e uso as roupas com as quais me sinto bem”, diz. A autoconfiança vem sendo conquistada aos poucos, mas a duras penas. O estudante conta que já chegou a ser criticado e orientado por um coordenador da escola a se vestir como homem. 

O cabelo curto e as roupas folgadas da adolescente A.L.P., de 17 anos, incomodaram o diretor da escola onde ela estudava a ponto de levá-la à expulsão, segundo denunciou sua mãe ao Conselho Tutelar e à Delegacia da Mulher. “Desde o primeiro dia que ele (diretor) entrou na escola, começou a perseguir minha filha até encontrar uma maneira de expulsá-la. Não havia motivo real para a decisão dele. Para mim, ficou claro o preconceito e, por isso, decidi denunciá-lo”, relata a mãe, que preferiu não se identificar.

Entre 2005 e 2011, foram registrados 52 casos de violência do tipo em estabelecimentos de ensino de Campinas, de acordo com os dados do Centro de Referência LGBT (Creas). Em 2011, foram dez casos de violência contra homossexuais na cidade. Segundo o Creas, as denúncias incluem casos de violência física, verbal e discriminação.

Mas os números demonstram apenas uma pequena parte dessa realidade, já que muitos jovens preferem não denunciar ou simplesmente desconhecem os caminhos. “A gente sabe que acontecem muito mais casos, mas as pessoas, infelizmente, não se habituaram ou não têm consciência da importância de denunciar as agressões, sejam verbais ou físicas”, afirma a assistente social e coordenadora do Centro de Referência LGBT Valdirene dos Santos.

No último ano do Ensino Médio, a descoberta da orientação sexual do estudante William da Silva Bernardo, de 18 anos, pelos colegas se transformou em bullying. “Começaram a espalhar fotos minhas beijando um rapaz. Na época, eu ainda não havia assumido a minha condição e foi duro. Os meus pais, que até aquele momento não sabiam da minha condição, acabaram descobrindo. Eu tentava negar para contornar a situação, mas foi um momento bem complicado”, lembra.

O estudante Gabriel Machado, de 16 anos, já perdeu as contas das ofensas que sofreu de colegas na escola. “Na última vez, fui com uma calça mais justa e um colega ficou me chamando de gay. Sou homossexual assumido e como pessoa me senti ofendido com a forma como ele me tratou. Levei isso para a direção, que disse que ia chamá-lo para conversar, mas não chamou. Simplesmente me ignorou. Achei um desrespeito também”, afirma.

Will-Ber, como é chamado, conta que o problema poderia ser minimizado se houvesse mais discussão sobre sexualidade nas escolas. “Muitos jovens gays ainda se escondem por medo de discriminação. Acredito que se a escola fizesse mais palestras, falasse sobre o assunto boa parte do problema seria evitado. Ainda hoje, a homossexualidade é tratada como um erro, como um problema ou doença e isso não é verdade. Mas ainda é tabu falar disso.”

Segundo o fundador da Escola Jovem LGBT, Deco Ribeiro, a grande parte dos jovens que chega à escola relata ter sido vítima em algum momento da homofobia. “Muitos ainda estão se descobrindo sexualmente e já encontram essa oposição dos amigos, em casa ou em algumas instituições de ensino. E o que a Escola Jovem procura é criar um ambiente seguro, no qual ele possa se fortalecer enquanto jovem gay por meio da cultura e da arte”, afirma.

Consequências
As consequências das violências por homofobia e da falta de apoio dos pais ou da escola podem ser graves, segundo Marcus Kempes Macedo de Moura, que é pedagogo, mestre em Educação e pesquisador dos direitos humanos e do tema homofobia. “Afeta seu equilíbrio psicológico, seu desempenho escolar, seu espaço relacional, ou seja, sua vida em completude. Quantos homossexuais não pensam em tirar sua vida por ser diferente do que seus pais e a sociedade queriam que eles fossem”, afirma.

Segundo ele, pais e professores devem sim assumir a defesa dos direitos de cidadania de cada ser humano. “Não apenas os pais e educadores, mas a sociedade de modo geral precisa compreender que ninguém escolhe ser homossexual, que se trata de um simples traço da identidade que não interferiria em sua conduta se não houvesse preconceito e discriminação.”

Serviço
As denúncias de homofobia podem ser feitas por meio do Disque 100, número gratuito que recebe, 24 horas por dia, ligações em defesa dos direitos humanos em todo o País. As denúncias também podem ser feitas por meio do Disque Defesa Homossexual: 0800-771-8765.

Saiba Mais
O Estado de São Paulo possui, desde 2001, legislação estabelecendo multas e outras penas para a discriminação contra homossexuais. A Lei 10.948 proíbe violência física ou psicológica, constrangimento ou intimidações. São puníveis pessoas, organizações e empresas privadas ou públicas. A penalidade vai desde a simples advertência ao estabelecimento de multa.

Campanha no Culto pode virar modelo
Uma campanha pelo respeito à diversidade sexual movimenta a comunidade escolar do Culto à Ciência e vem quebrando a barreira do preconceito desde 2004. O autor da campanha é o professor José Carlos Rocha Viera Júnior, o Carlão, que há 27 anos leciona no colégio. Ele decidiu tratar do tema depois de se deparar, no próprio Culto, com o caso de uma adolescente que contou que tinha sido espancada pelo próprio pai ao se confessar homossexual.

Naquele momento, Carlão decidiu que a campanha educativa precisava ser feita dentro do colégio, para que os jovens levassem as informações para dentro de suas casas. A campanha Homofobia? Tô fora! deu tão certo que deverá ser levada para outras escolas da região leste de Campinas e, possivelmente, para toda a rede escolar do Estado. “O projeto é constituído de uma apostila, que traz informações sobre a homoafetividade e a legislação sobre a homofobia. Leio com os alunos o conteúdo e, frequentemente, trago especialistas para discutir o tema”, afirma.

A proposta foi elogiada pelo próprio secretário estadual de Educação, Herman Voorwold, no ano passado, quando esteve no colégio.

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Uma resposta a NÃO AO PRECONCEITO DENTRO E FORA DA ESCOLA!

  1. Anónimo diz:

    concordo com tudo isso

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