PEC 241 e o fim de uma geração

Por Ricardo Festi

É enorme o cinismo do (des)governo golpista de Michel Temer e de seus aliados parlamentares e midiáticos sobre a “necessidade” de se votar a PEC 241. O argumento central é que ela botará o Brasil de volta aos trilhos do desenvolvimento e do crescimento econômico e corrigirá um mal maior deixado pelo “petismo” (a dívida).

Medida ultramente antipopular, ela é enfiada goela-abaixo da população.

Elimina-se o debate público e se impõe o argumento do “medo” por meio da máquina da falsa propaganda. Propositalmente, confunde-se gastos com investimentos.

Se a PEC 241 fosse debatida seriamente, a grande maioria da população brasileira a rejeitaria, por dois motivos: (1) ela atingirá os mais pobres e terá como efeito o aumento da desigualdade de renda, de oportunidades, de educação e de qualidade de vida; (2) propostas semelhantes já foram inúmeras vezes rejeitadas nos processos eleitorais passados.

Se analisarmos esta PEC no conjunto da obra de Temer e seus aliados (PMDB-PSDB-DEM), que tem no pacote a reforma trabalhista (que vai retirar direitos e nos levar a situações semelhantes ao pré-CLT), a reforma da previdência (que pode estabelecer a aposentadoria aos 70 anos), a reforma do ensino médio, as novas medidas de privatização e concessões ao setor privado, dentre muitas outras… estamos diante de uma retomada sem precedentes do projeto neoliberal.

Porém, pior, muito pior que aquele implementado durante os governos de Fernando Henrique Cardoso, por dois motivos: (1) apesar deste ter sido duas vezes eleito, a população nunca chegou a apoiar um projeto ultra-neoliberal como tem sido o pacote Temer; e (2) na época havia uma oposição fortíssima em nosso país capitaneada, principalmente, pelo PT e o MST. Por isso FHC nunca chegou a ir tão longe como o seu amigo argentino Carlos Menem. Mas os dois levaram os seus países ao desastre social e econômico.

Porque não discutir uma reforma fiscal em que seja instaurado o imposto progressivo? É uma questão simples: se você ganha mais, paga mais imposto e, desta forma, aumentando o orçamento do Estado, que pode investir em políticas que levam a diminuir a desigualdade social e econômica e a atenuar os seus efeitos colaterais, como a criminalidade. Estas são medidas que países ricos adotam há quase um século e que a classe dominante brasileira rejeita por simplesmente não querer perder os seus privilégios herdados da Casa-grande.

A aprovação da PEC 241 cela o fim de uma geração que alimentou a esperança de uma melhora na qualidade de vida, de uma possível mobilidade social e profissional. Cela o fim da ilusão da modernização dos tempos lulistas. Agora, para esta geração, resta apenas a luta!

Veja abaixo uma ilustração sobre as consequências para a educação e a saúde e a sugestão de dois artigos.

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“Sejam os profetas de suas próprias vidas”, aos formandos COTIL 2014

Discurso como paraninfo na formatura do ensino médio noturno do COTIL – 2014

Ricardo C. Festi

Boa noite a todos.

Gostaria de começar saudando o Diretor Geral de nosso colégio, os demais diretores e a assessora especial da direção.

Também cumprimento meus demais colegas professores. Os pais, familiares e amigos que vieram prestigiar essa noite. E, obviamente, quero dar um grande abraço em todos os alunos aqui presentes, principalmente aqueles que estão esta noite obtendo seu diploma de ensino médio.

 * * *

Há dez dia aceitei o convite de ser paraninfo das turmas de 2012-2014, dos cursos noturnos do Colégio Técnico de Limeira. Recebi esse convite com imensa alegria, pois trata-se de homenagear e dar uma última palavra para aqueles que nesses últimos três anos foram meus parceiros na empreitada de ensinar e aprender.

E será sobre o ato de educar que eu dedicarei esta minha intervenção hoje.

Quero, com minhas palavras, responder a uma questão básica: “pra que serve a escola?”.

E também gostaria, se me permitirem, de relacionar isso com o dia de hoje: 20 de novembro, dia da consciência negra. Continuar a ler

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Um abismo e um desabafo…

Por Rafael Del’Omo Filho*
 

Algumas horas sinto que um abismo me separa dos meus alunos… Acabei de saber que quatro jovens foram assassinados perto de casa, uma notícia que anda muito corriqueira por esses lados. Não é a primeira vez que ouço algo parecido nas últimas duas semanas, parece que já são 11. Na hora que me contaram, assistia a um vídeo do Emicida comentando o badalado caso de racismo da torcedora do grêmio. E ele dizia como uma criança negra se sente num caso desses, que se sente menos, se sente feia, com vergonha da sua cor, mas não entende o que é o racismo. E perguntam como combater o racismo e ele responde: “Levantar a cabeça”. E depois diz: “o combate ao racismo tem que vir de dentro da escola”.  E coloca o problema da negação do racismo. O racismo no Brasil se esconde nessa forma nojenta de se dizer antirracista. Imagine se o mais influente diretor de jornalismo do país publicasse um livro chamado “Não somos racistas”? Pois é, é o título do livro do diretor de jornalismo da Rede Globo, Ali Kamel. Imagine que o maior ícone negro do país mesmo negasse e minimizasse o racismo como faz o nosso poeta calado, Pelé. Ou que o principal argumento de um determinado professor universitário racista consistisse em transpor a inexistência biológica das raças para uma sutil negação social das raças, ancorado em teses e publicações acadêmicas. Ou que um dos principais argumentos anticotistas do país fosse que essa sim seria uma medida… RACISTA! Ou senão tentando esconder o problema racial como somente um problema socioeconômico sem especificidade. Continuar a ler

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Química Educação: pra QUEM te quero?

Por Rafael Del’Omo Filho*
 

Recentemente a atriz global Denise Fraga escreveu em sua coluna da Folha de São Paulo um artigo questionando o estudo de química nas escolas[1]. Prontamente, a Sociedade brasileira de química (SBQ) e profissionais da área manifestaram seu rechaço ao artigo da atriz. No entanto, se o texto de Denise tem algum mérito, é o de abrir um questionamento sobre o ensino básico. Debate que nós mesmos, professores, evitamos por vários motivos: sentimento de impotência, receios, corporativismo. No entanto, fingir que um problema não existe, não o resolve e, nesse caso, incorremos no perigo de sermos engolidos por uma reforma educacional desde cima sem nenhum diálogo com quem realmente vive a realidade educacional como foi em 1968-1971, em 1996 e em diversas medidas fatiadas adotadas pelos governos de turno. Continuar a ler

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Sindicato da UNICAMP denuncia assédio moral no COTIL

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Apoio a revogação de uma homenagem da UNICAMP a um ditador

O blog (Socio)lizando apoia o abaixo-assinado pela revogação do título Honoris Causas a Jarbas Passarinhos, membro ativo da Ditadura Militar brasileira, emitido pela UNICAMP nos anos 1970, e convida os seus leitores a se somarem a esta manifestação.

Cliquei aqui

Segundo a petição,

Nós, abaixo-assinados, manifestamos a mais profunda indignação pelo fato de o Conselho Universitário (CONSU) da Unicamp, na sua sessão de 5 de agosto de 2014, haver mantido a vigência do título deDoutor Honoris Causa concedido pelo antigo Conselho Diretor dessa Universidade ao Coronel Jarbas Passarinho, em 1973, decisão tomada  sob os constrangimentos políticos e institucionais da ditadura militar então vigente no Brasil.

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Refletindo sobre o mundo do trabalho

bankysNo segundo semestre de 2014, os alunos dos terceiros anos terão que realizar, em grupos de 4 a 6, uma pesquisa sobre as transformações ocorridas no mundo do trabalho nestas últimas décadas. O objetivo é desenvolver a capacidade de pesquisar um determinado assunto, ter contato com as produções científico-acadêmicas e articular os conceitos aprendidos em sala de aula sobre o tema. Cada grupo de estudante escolherá uma profissão e desenvolverá a sua pesquisa sobre ela. Continuar a ler

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